“As raízes nipônicas de Pernambuco” (por Artur Ferraz, Folha Pe)

Há 74 anos, oficiais do Império Japonês assinavam a ata de rendição que encerrou a Segunda Mundial. Imigrantes e descendentes que vivem no estado contam suas histórias .

Em Pernambuco, o senhor Kubo construiu há quase 50 anos sua Hiroshima particular: uma chácara às margens da PE-85, em Barra de Guabiraba, a 110 km do Recife. Diferente da Hiroshima do pós-guerra, que teve de se reerguer em meio aos destroços, a Hiroshima pernambucana foi criada em um mundo novo, pouco povoado, cheio de verde e longe do caos urbano, sendo mantida por décadas como espaço de cultivo de flores. Com chuvas regulares e uma altitude de mais de 450 metros acima do nível do mar, o município que fica na transição da Zona da Mata para o Agreste apresentava o terreno ideal para a produção. “Você precisa de um clima mais frio para as flores temperadas, como rosa, crisântemo, gipsofila, que o povo daqui não plantava”, conta. Casado com uma pernambucana, teve três filhos, dois homens e uma mulher.

https://www.folhape.com.br/noticias/noticias/zoom/2019/08/31/NWS,115105,70,637,NOTICIAS,2190-AS-RAIZES-NIPONICAS-PERNAMBUCO.aspx

Documentário – “História dos judeus no Nordeste (Pernambuco-Brasil)”, produção e direção de Shaul Kesslassi

A presença de cristãos-novos e a ação da Inquisição durante o período em que o Brasil foi colônia de Portugal (1500-1822); a formação de uma comunidade judaica em Recife, Pernambuco, Nordeste do Brasil, no século 17, durante o período de invasão e domínio holandês, que propiciou liberdade religiosa para os judeus; no período colonial (1500-1822), milhares de portugueses cristãos-novos vieram ao Brasil, e constituíram comunidades judaicas organizadas.

O rico documentário conta com os depoimentos da professora Dra. Tânia Kaufman e do historiador Daniel Breda.

“Sírios e libaneses no oeste paulista – décadas de 1880 a 1950” – Oswaldo Truzzi, Revista Brasileira de Estudos de População

Resumo

O artigo busca explorar os condicionantes e características distintivas da inserção socioeconômica de sírios e libaneses no interior paulista, entre as décadas de 1880 e 1950. Do início difícil como mascates, portadores de uma cultura distante, os sírios e libaneses lograram se firmar como comerciantes, aproveitando as oportunidades que suas redes (de parentes e conterrâneos) e a economia cafeeira em expansão ofereciam, estabelecendo-se sobretudo nos ramos de roupas, tecidos e armarinhos de secos e molhados e de gado e cereais. Tomando como fonte principal uma série de obras – acadêmicas e memorialísticas –, nas quais o imigrante sírio e libanês é retratado no interior, o artigo indica ainda as principais regiões do oeste paulista nas quais o grupo se concentrou, discute trajetórias que ilustram algumas das possibilidades de mobilidade, a formação de lideranças, o modo como as práticas religiosas se transformaram e a mobilidade acentuada – como doutores e políticos – conquistada por estratos da primeira geração nascida no Brasil.

Palavras-chave: Sírios e libaneses. Oeste paulista. Mobilidade socioeconômica. Integração. Identidade. Lideranças étnicas.

“Cuando salí de mi tierra”, Fernando Arrabal – Revista de Prensa

Con qué desconsuelo estuve a punto de llorar varias veces en el vagón del tren que me condujo a París hace casi setenta años. Sin embargo, aquel 11 de diciembre de 1955 me imaginaba, como hoy me imagino, tan sólo provisionalmente desterrado. Con qué sorpresa me invadió (con encajes de irracionalidad) una excitación trenzada de pavor en el jarro de la esperanza. Fueron tantos los españoles que, mordiéndose los pies, emprendieron un periplo parecido sambenitados de emigrantes exiliados o viceversa. El historiador nos dedicó un capítulo, el sociólogo un panfleto, Kundera una novela y el popularísimo, entonces, Juanito Valderrama, una copla:

Cuando salí de mi tierra

volví la cara llorando

porque lo que más quería

atrás me lo iba dejando.

También atravesaron la frontera para nunca más volver otros compatriotas notorios de rango, colmados de corolas y coronas. Pero nada sabemos sobre ese instante crucial de sus vidas. Nunca se refirieron a él ¿para no rememorar los aldabonazos de las espinas y el fuego?

https://www.almendron.com/tribuna/cuando-sali-de-mi-tierra/

Sugestão de leitura: “Trajetória educacional dos imigrantes alemães no interior do Estado de São Paulo: uma escola alemã na Colônia Riograndense, 1922-1938 (Maracaí/Cruzália-SP)”, Flávia Renata da Silva Varolo, Arilda Inês Miranda Ribeiro, José Luis Félix

VAROLO, Flávia Renata da Silva, RIBEIRO, Arilda Inês Miranda, FÉLIX, José Luis. Trajetória educacional dos imigrantes alemães no interior do Estado de São Paulo: uma escola alemã na Colônia Riograndense, 1922-1938 (Maracaí/Cruzália-SP). São Paulo: Paco Editorial, 2015.

SINPOSE

A leitura deste estudo nos permite conhecer um pouco da História da Educação Brasileira e de seus desdobramentos, em particular, a que foi vivida e construída pelos imigrantes alemães, a partir do ano de 1922, numa região inóspita, desbravando o sertão e plantando arte e cultura como componentes essenciais à formação do ser humano.

“Polish WWII refugees make emotional return to North Island town that welcomed them 75 years ago – ‘It was real home'”(by Cushla Norman – News Now)

New Zealand’s first official refugees were today welcomed back to Pahīatua, the town that took them in 75 years ago. 

A total of 733 Polish children, escaping the atrocities of World War Two, arrived in the Wairarapa town on 1 November 1944. 

https://www.tvnz.co.nz/one-news/new-zealand/polish-wwii-refugees-make-emotional-return-north-island-town-welcomed-them-75-years-ago-real-home

“How Italians Became ‘White’ – Vicious bigotry, reluctant acceptance: an American story” (by Brent Staples, The New York Times)

Racist dogma about Southern Italians found fertile soil in the United States. As the historian Jennifer Guglielmo writes, the newcomers encountered waves of books, magazines and newspapers that “bombarded Americans with images of Italians as racially suspect.” They were sometimes shut out of schools, movie houses and labor unions, or consigned to church pews set aside for black people. They were described in the press as ‘swarthy,’ ‘kinky haired’ members of a criminal race and derided in the streets with epithets like ‘dago,’ ‘guinea’ — a term of derision applied to enslaved Africans and their descendants — and more familiarly racist insults like ‘white nigger’ and ‘nigger wop.’

https://www.nytimes.com/interactive/2019/10/12/opinion/columbus-day-italian-american-racism.html

“Comunidade eslovena no Brasil” (Embaixada da República da Eslovênia em Brasília)

Os primeiros eslovenos chegaram ao Brasil por causa do acordo entre Itália e Brasil sobre a imigração de trabalhadores nos anos 80 e 90 do século 19. Muitas famílias vieram da região de Notranjska (interior), especialmente dos subúrbios de Postojna, Logatec e Cerknica e a maioria deles começou a trabalhar nas plantações de café no interior de São Paulo. Esta onda de migração, de acordo com dados atuais, não estabeleceu nenhuma associação própria, mas eram ativos na associação iugoslava chamada “Jugoslovanski sokol” cujas origens são do ano de 1908, em São Paulo.

Uma segunda onda de migração consistia de migrantes de Primorje, no período entre as duas guerras mundiais. Eslovenos em São Paulo fundaram sua primeira associação em 1928, que se chamava ORNUS (A celebração do nascimento da nova comunidade eslovena no Brasil). A segunda associação foi a Associação eslovena educacional, criada em 1929. A mais ativa foi a associação ORNUS que organizou o coral, o grupo musical de tamborica, o teatro, o departamento de suporte e o clube de xadrez. Colecionavam livros para a biblioteca eslovena, recebiam o jornal da Eslovênia, da União Européia e da Argentina. Na década de 30 também preparavam cursos de língua eslovena para as crianças. Em 1943 construíram o primeiro centro cultural e a associação alterou seu nome para Associação Cultural Eslovena Naš Dom. 

A última imigração chegou ao Brasil na década de 50 e 60 do século 20. Após a Segunda Guerra Mundial, muitos eslovenos colaboraram com a Associação de Amigos da Iugoslávia, que parou de funcionar após a desintegração da Iugoslávia.     

Alguns meses antes da independência da Eslovênia, um grupo eslovenos (Vladimir Ovca, Janez Hlebanja, Federico Hlebanja, Štefan Bogdan Šalej, Andrej Kranjc e Franciska Brunček) se reuniram na casa de Janez Hlebanja, em São Paulo, e formaram a Zvezo Slovencev Brazilije – União de Eslovenos no Brasil. Relacionada à iniciativa deste grupo ocasionalmente se publicava a Lipov List e formaram o coral e organizaram as aulas de língua eslovena. Os membros da associação se reúnem duas vezes por ano, no Natal e no dia da independência. Nos últimos anos, os jovens da emigração eslovena estão mais ativos em diferentes áreas e também tem a sua própria página web www.eslovenosnobrasil.wordpress.com.

A maioria dos eslovenos e dos seus antepassados vive no estado de São Paulo. Alguns também podem ser encontrados em outras cidades brasileiras como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador e outras. Há especulações de que no Brasil estão vivendo entre 1000 e 5000 eslovenos. No Brasil também se pode encontrar uma nova geração de imigrantes que chegaram após a independência da Eslovênia.

Texto extraído do site da Embaixada da República da Eslovênia em Brasília: http://www.brasilia.veleposlanistvo.si/index.php?id=4169&L=19

Documentário: “Feira em SP reúne culinária, artesanato e danças típicas do leste europeu” (por Opera Mundi)

São 14 comunidades de descendentes ou imigrantes do leste europeu que se juntam para realizar a feira. Todos os produtos são feitos pelos próprios vendedores, que aprenderam a fazê-los baseado na herança cultural que receberam de seus pais e avós. O mesmo vale para os músicos e dançarinos que se apresentam no palco.

As comunidades que participam da feira representam Rússia, Ucrânia, Lituânia, Romênia, Polônia, Croácia, República Tcheca, Bulgária, Eslovênia, Hungria, Letônia, Eslováquia, Estônia e Bielorrússia.

https://operamundi.uol.com.br/cultura/42265/feira-em-sao-paulo-reune-culinaria-artesanato-musica-e-danca-tipicas-do-leste-europeu

Sugestão de leitura: “A descoberta da América pelos turcos”, Jorge Amado

AMADO, Jorge. A descoberta da América pelos turcos. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. Posfácio de José Saramago

SINOPSE

 Raduan Murad e Jamil Bichara descobriram a América juntos: vieram no mesmo barco de imigrantes e desembarcaram na Bahia em 1903. No litoral sul do Estado, eram chamados de “turcos”, forma brasileira de designar todos os árabes, fossem eles da Síria, do Líbano ou de fato da Turquia.
     Definido pelo autor como um “romancinho”, A descoberta da América pelos turcos é uma narrativa breve sobre a contribuição dos descendentes de árabes na civilização do cacau, durante a época em que coronéis e jagunços disputavam as terras virgens da região de Ilhéus.
     O libanês Raduan e o sírio Jamil decidiram então tentar a sorte no eldorado do cacau. Jamil se estabeleceu no povoado de Itaguassu, onde abriu um pequeno comércio. Raduan preferiu permanecer em Itabuna, onde freqüentava as mesas de pôquer, os botequins, os cabarés e as pensões de mulheres.
     O enredo, curto e hilariante, apresenta a história de um casamento arranjado, mas de difícil realização. Ibrahim Jafet, viúvo e pai de três beldades (Samira, Jamile e Fárida), quer casar sua última filha solteira, a severa e mal-ajambrada Adma. Ao pretendente, oferece sociedade no armarinho O Barateiro, estabelecimento de tradição e administração familiar.
     Tentado por Shitan, o tinhoso dos muçulmanos, e pelo amigo Raduan, o sírio Jamil vai pensar seriamente no negócio: para herdar O Barateiro, faria o sacrifício de se casar com Adma? Escrito com humor desbocado e o enlevo narrativo próprio do autor, A descoberta da América pelos turcos faz um elogio da mestiçagem dos sangues árabe e baiano, em seus elementos de fraternidade, alegria e erotismo.