Introdução ao primeiro exemplar do jornal “O Gallego”, Recife, 1849. Epígrafe:”Eu sou o gallego la da botica, sou muito amante de quem m’enrica”.

 Introdução

Eis-me no mundo periodiqueiro lançado contra vontade dos brasileiros, porque na verdade lhes irá dar muito o que fazer, e se espantarão com o meu aparecimento, pois atrevo-me com o maior denodo possível a dizer-lhes verdades, verdades que ao meu parecer são incontestáveis.

A grande injustiça e desumanidade com que são tratados os meus compatriotas, faz-me esquecer que sou galego, e obriga-me a apresentar-me em campo, para, apesar de todos os obstáculos que me oponham os estonteados brasileiros, defendê-los até ver se eles por uma vez se desenganam com semelhante gente tão inóspita, quanto perversa e revolucionária.

De tempos, a esta parte tem aparecido uma imensidade de gazetas por todas as províncias do Brasil guerreando o nosso predomínio, e chamando a atenção do povo brasileiro contra a nossa legítima influência. Estávamos resolvidos a deixar uivar esses cães danados, porém, para que não sejamos tidos por dormentes ou covardes, tomamos a peito defender os nossos patrícios dessas acusações vagas e infundadas que lhes fazem essas gazetas imundas, que se intitulam ‘liberais’.

Já veem os leitores qual é a nobre missão do ‘Gallego’.

Agora cumpre-me a significação deste meu todo inteiramente burlesco, e também para que melhormente me conheçam; ouçam-me:

Nasci em Galiza, chamo-me ‘Marques Moreira Guerra’, tenho até o presente vivido honradamente… (Jornal o “Gallego”, n. 1, Recife, 1849).

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