Imigrantes na filmografia brasileira no início do século XX. Documentários: “No Paiz das Amazonas” (1922) e “São Paulo, Sinfonia da Metrópole” (1929)

“No Paiz das Amazonas”, 1922, Silvino Santos

Silvino Simões dos Santos Silva, em arte mais conhecido como Silvino Santos, foi um cineasta, diretor de fotografia e produtor de cinema nascido em Sernache do Bonjardim, Beira Baixa, Portugal, no dia 29 de novembro de 1886.

O pai era um comerciante bem-sucedido, mas o jovem Silvino interessava-se por reportagens sobre o Rio Amazonas. Com uma família amiga, cruzou o Atlântico com 13 anos e chegou ao Brasil em 1899, na passagem do século, em busca daquela Amazônia fantástica imaginada pelos europeus, para morar em Belém (PA). Ele viveria a sua aventura amazônica contracenando com as grandes personalidades daquele período do fausto da borracha, testemunhando acontecimentos marcantes como a chegada do cinema à Amazônia, a Revolução Tenentista e a criação da Comuna de Manaus. Mais que presenciar os momentos históricos, Silvino fotografou e filmou a Amazônia que não existe mais.

Aprendeu fotografia com uma máquina 13×18 e trabalhou por três anos com Leonel Rocha, fotógrafo e pintor. Em 1903, instalou-se definitivamente em Manaus, onde montou um estúdio, realizando trabalhos como fotógrafo e pintor. Em 1910, conheceu os estúdios da Pathé-Frères, onde fez seu aprendizado prático na arte da cinematográfica nas oficinas da Pathé-Frérès e nos Laboratórios dos Irmãos Lumiérè.

De volta ao Brasil, realizou seu primeiro filme ‘Rio Putumayo’, em 1914. De canoa, a pé ou de avião, Silvino percorreu a Amazônia, fez suas primeiras imagens aéreas, mostrou sua fauna e flora, sua economia, a riqueza daquela época, os índios, os caboclos e seus costumes. Em 1917, surgiu a figura do maior patrocinador da carreira do cineasta, Joaquim Gonçalves de Araújo, poderoso empresário amazonense, que passou a financiar os seus trabalhos. Em 1922, realizou o mais notável trabalho, o longa documental ‘No Paiz das Amazonas’, filmado no Amazonas, Rondônia e Roraima. O filme teve circulação nacional e internacional entre 1922 e 1930, percorrendo a Europa e os Estados Unidos.

Depois realizou dezenas de documentários em Portugal. Sua obra abrange o período 1914 a 1957, quando realizou ‘Santa Maria da Vila Amazônia’. Sem dúvida é a maior documentação visual da Amazônia já realizada com mais de 50 curtas-metragens e 09 longas-metragens, sendo ‘No Paiz das Amazonas’ (1922) e ‘No rastro do Eldorado’ (1925) os mais conhecidos.

Silvino Santos desenvolveu técnicas alternativas para revelação na mata, a céu aberto, tomando precauções para que os insetos não ficassem grudados na emulsão enquanto o filme secava. Em 1969, Joaquim Marinho e Cosme Alves Neto resolveram procurar Silvino, então totalmente esquecido. Encontram-no morando numa casa simples de propriedade de J.G. Araújo. Silvino foi homenageado e redescoberto.

Morreu pobre, em Manaus (AM), 14 de maio de 1970, aos 84 anos de idade” (texto extraído do História do Cinema Brasileiro).

Documentário: formato mudo

 

“São Paulo, Sinfonia da Metrópole”, 1929, Adalberto Kemeny e Rudolf Rex Lustig

Adalberto Kemeny foi um diretor de fotografia nascido em Budapeste, na Hungria, em 1901. Em seu país, especializou-se em fotografia, iluminação, efeitos especiais de fotografia etc.

Já associado ao inseparável amigo Rudolph Rex Lustig, trabalhou na Pathé francesa e depois na UFA da Alemanha. Mudou-se para o Brasil em 1926 e, no mesmo ano, em São Paulo, fundou, em sociedade com Lustig, a Rex Film, empresa que dominaria a revelação e sonorização de filmes no Brasil nas décadas seguintes.

Em 1929, dirigiu com Lustig ‘São Paulo, a Sinfonia da Metrópole’, filme que registra a cidade, no fim da década de 1920, como o cotidiano da metrópole, a vida das pessoas e o ritmo frenético das ruas, além dos primeiros indícios de crescimento da capital, e um hino de amor à terra que acolhera os dois cineastas.

Além de suas funções no laboratório, ainda dirigiu a fotografia de alguns filmes, sendo os últimos registrados ‘Luar do Sertão’, de 1949, como fotógrafo, ‘Caiçara’ (1950), como câmera, e o documentário ‘Assistência ao Litoral de Anchieta’ (1955/60), como fotógrafo.

Adalberto Kemeny foi importante personalidade do cinema brasileiro, principalmente o paulista, faleceu em 1969, aos 68 anos de idade” (texto extraído do História do Cinema Brasileiro).

Rudolph Rex Lustig foi um cineasta e diretor de fotografia nascido em Budapeste, na Hungria, em 1901.

Em sua cidade, associou-se a Adalberto Kemeny na filial húngara da Pathé. No início da década de 1920, já como cineastas, estabeleceram-se em Berlim.

Em 1926, morando no Brasil, fundaram a Rex Film. Em 1929, Lustig e Adalberto produziram aquele que seria um dos mais preciosos documentos sobre a capital paulista, ‘São Paulo, Sinfonia da Metrópole’. Depois Lustig associou-se a Gilberto Rossi e os dois fundaram a Rossi-Rex Film. A dupla dirigiu a fotografia de ‘Coisas Nossas’ (1931), para Wallace Downey, e ‘O Caçador de Diamantes’ (1934), para Vittorio Capellaro, a partir do qual dedicam-se somente ao laboratório Rex, um dos maiores do Brasil durante décadas, sendo inclusive o laboratório oficial da ‘Companhia Cinematográfica Vera Cruz’, entre 1949 e 1954.

Morreu em São Paulo, SP, em 1970, aos 69 anos” (texto extraído do História do Cinema Brasileiro).

Documentário: formato mudo

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