“A época em que o Brasil barrou milhares de judeus que fugiam do nazismo” (por João Fellet, BBC NEWS Brasil em São Paulo)


Em julho de 1938, o cônsul do Brasil em Budapeste (Hungria), Mário Moreira da Silva, enviou ao ministro das Relações Exteriores, Oswaldo Aranha, uma circular secreta em que informava ter recusado a concessão de vistos a 47 pessoas ‘declaradamente de origem semita’ (judeus) que buscavam migrar para o Brasil.

A reportagem conta com o rico depoimento da professora Dra. Maria Luiza Tucci Carneiro (Departamento de História da USP-SP).

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46899583

Documentário “Libertários”, 1976 (produção, roteiro e direção de Lauro Escorel Filho)


Documentário sobre a história do início do movimento operário, liderado pelos anarquistas. Mostra a transformação dos imigrantes nos primeiros operários urbanos e faz uma crônica das greves mais importantes, dos sucessos e derrotas do movimento, desde o fim do século passado até 1922. O filme resgata a história da força anarquista na luta operária e seu papel na criação deste movimento.

“A capital europeia onde lápides de cemitérios viraram calçada de paralelepípedo” (BBC NEWS)


A cada ano, milhões de turistas caminham pelas calçadas da cidade velha de Praga, capital da República Tcheca – possivelmente sem saber que muitas das pedras abaixo dos seus pés foram saqueadas de um local que deveria ser sagrado. O repórter da BBC Rob Cameron descobriu esse segredo recentemente e conta a história.

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46884204

Curta-metragem “Janela Molhada”, Carlos Enrique Lopes

O curta-metragem “Janela Molhada”, dirigido por Marcos Enrique Lopes, retrata a história de dois pioneiros italianos do cinema mudo no Brasil, Ugo Falangola e J. Cambieri, que, em 1920, em Pernambuco, fundaram a primeira produtora de cinema do estado. O filme traz uma entrevista com a filha de Ugo, Adriana Falangola, 92 anos, última remanescente do cinema mudo brasileiro.

“Janela Molhada” conta também com depoimentos de especialistas no assunto como os pesquisadores Carlos Roberto de Souza e Luciana Corrêa de Araújo, do laboratorista Carlos Eduardo de Freitas e da colorista Luíza Malzoni, que levantam a questão da preservação e restauração de acervos através do método “janela molhada”, abordam os ciclos regionais de cinema e apresentam uma coleção de fragmentos de filmes mudos.

O título “Janela Molhada” é uma analogia a recuperação de películas em nitrato, processo de restauração e preservação de filmes do período silencioso, um processo que reduz os riscos de transferência de nitrato.

Sugestões de leitura


FELDMAN-BIANCO, Bela, SANJURJO, Liliana, AZEVEDO, Desirée, SILVA, Douglas Mansur da (Orgs.). Migração e exílio. São Carlos (SP): EDUFSCAR, 2018.

Descrição

“Esta coletânea oferece um panorama das novas perspectivas antropológicas, temas e debates sobre deslocamentos transnacionais na história e na atualidade. Seja focalizando migrantes do Brasil ou aqueles radicados no país, esta coleção de artigos expõe as relações entre migrações transnacionais, nação e nacionalidade e a contínua preocupação dos Estados-Nação em classificar e selecionar migrantes desejáveis e indesejáveis. Em seu conjunto, trazem à tona renovado interesse nos significados da imigração e do exílio na história brasileira, assim como em questões laborais e na construção da imigração enquanto crime no capitalismo neoliberal”.

CUNHA, Valdemir, BARTABURU, Xavier. Mein Kleines Deutschland – Minha pequena Alemanha: 190 anos da presença alemã no Brasil. São Paulo: Editora Origem, 2014.

Descrição

“A obra conta a história da imigração alemã para o Brasil a partir de 1824, mostrando a influência germânica na construção do Brasil; é uma mistura de livro de fotografia com almanaque”.

OGATA, Maria Gravina. Os samurais alagoanos e a bambina paulista: migrar é preciso… São Paulo: Scortecci Editora, 2018.

Descrição

“Os Samurais Alagoanos e a Bambina Paulista: Migrar é Preciso… apresenta um relato em que a família da autora protagoniza inúmeras aventuras migratórias, que tiveram o Brasil como destino. O livro narra a saga dos imigrantes italianos e japoneses que se encontraram na cidade de São Paulo e vêm seguindo seus caminhos juntos, desdobrando-se em várias gerações até a chegada de seus três netos, fruto do melting pot que se tornou o Brasil, decorrente da formação de várias diásporas migratórias em diversos momentos históricos, relacionados com o final do século XIX, todo o século XX e o início do século XXI. A obra passeia confortavelmente pela história, geografia, economia, administração pública, política e pelo direito, de forma muito simples, fazendo com que qualquer pessoa possa se recordar de momentos cruciais da história do Brasil, constatando-se que, de país de imigração, vem se tornando, pouco a pouco, um país de emigração. Este ensaio não relata a história ‘dos outros’. Trata das fronteiras e dos Estados nacionais, cujas funções se encontram em constante transformação no mundo globalizado. Mostra, ainda, a demora na miscigenação dos imigrantes com os brasileiros, a importância do casamento nas famílias de imigrantes, a dificuldade para retornar ao país de origem, a importância da família, a educação como forma de ascensão social e econômica”.

ELMIR, Cláudio Pereira, WITT, Marcos Antônio, TRUZZI, Oswaldo (Orgs.). Imigração nas Américas: estudos de história comparada. São Leopoldo (RS): OIKOS Editora, 2018.

Descrição

“Há muitas possibilidades de estudos comparativos. Conforme os organizadores, o essencial é perceber que esse método enriquece os temas abordados. No campo dos estudos migratórios, bastante fragmentado e no qual a primazia dos estudos monográficos reina quase absoluta, a presente obra pretende contribuir para mitigar e alargar a compreensão acerca dos fenômenos migratórios. O livro tem uma série de contribuições de mais de uma dezena de pesquisadores/as da América do Sul”.

LEVY, Daniela. De Recife para Manhattan: os judeus na formação de Nova York. São Paulo: Editora Planeta, 2018.

Descrição

“Uma fantástica e desconhecida aventura. Foi uma verdadeira epopeia. Em 1654, 23 judeus, entre homens, mulheres e crianças, deixaram a cidade do Recife em busca de uma nova terra. Após 24 anos de domínio holandês, Portugal recuperou a colônia da região de Pernambuco, expulsando os holandeses e judeus que lá haviam se estabelecido. A bordo do navio Valk, os judeus sonhavam em voltar para a terra natal. Uma tempestade desviou-os do caminho e o navio acabou sendo saqueado por piratas espanhóis. O grupo foi socorrido por uma fragata francesa que lutou contra os piratas e resgatou a tripulação. Como tinham outro rumo, os franceses deixaram o grupo na Jamaica, então colônia espanhola. Depois de ficarem presos por algum tempo, os judeus foram libertados graças à intervenção do governo holandês. Por motivos financeiros, acabaram seguindo para um destino mais próximo do que a Europa: a colônia holandesa de Nova Amsterdã. Assim começa a participação dos judeus que saíram do Brasil e acabaram ajudando na formação de Manhattan, antes chamada de Nova Amsterdã. O grupo foi o primeiro formar uma comunidade judaica na América do Norte. Passados os primeiros anos de adaptação, eles colaboraram com o desenvolvimento, então incipiente, do comércio, com a organização inicial do mercado financeiro, a construção de modernos hospitais, a luta pela emancipação política, a formação de renomadas universidades e centros culturais. Os judeus do Brasil contribuíram muito para que Nova York fosse hoje a capital do mundo. Tanto é que a cidade ergueu um monumento aos chamados Jewish Pilgrim Fathers. Esta história fascinante e pouco conhecida é narrada em detalhes neste livro, que contém também mapas e imagens que ilustram essa aventura”.

KULCSÁR, João. Retrato Migrantes. São Paulo: Editora SESI SP, 2015.

Descrição

“Este livro é resultado de anos de pesquisa de João Kulcsár – professor de arte e curador de exposições nacionais e internacionais – que teve acesso privilegiado a documentos e imagens de Ellis Island, ilha portuária de Nova York símbolo da imigração para os Estados Unidos no inicio do século XX, e ao acervo do Museu da Imigração de São Paulo, onde concebeu um projeto que relaciona as duas coleções, retratando a experiência da imigração nos Estados Unidos e no Brasil. Retratos imigrantes é uma representação privilegiada de momentos fundamentais da história da humanidade, trazendo o registro de pessoas e famílias que deixaram tudo para trás para imigrar, buscar alternativas e oportunidades de erigir novas comunidades com perspectivas mais tolerantes, pacíficas e democráticas”.

“Rapporto Italiani nel Mondo 2011” ( Fondazione Migrantes)

Este Relatório, produzido pela Fondazione Migrantes, é dedicado ao 150º aniversário da Unificação da Itália e analisa, em detalhe, um século e meio de emigração. Neste período, 30 milhões de italianos migraram para outros países.

Documentário “Ultrapassando fronteiras: os 120 anos do Japão no Brasil”


O documentário ‘Ultrapassando fronteiras: os 120 anos de Japão e Brasil’ conta a história da imigração japonesa para o país. O longa é conduzido a partir da vida e da obra de dois ilustres japoneses que emigraram para o Brasil atrás de dias melhores: Haruo Ohara e Tomie Ohtake. Haruo foi um desbravador que com muita luta e sacrifício conquistou suas próprias terras e deixou para seus filhos o legado da educação, possibilitando a todos o diploma de nível superior. Fotógrafo, ele registrou as mudanças ocorridas em sua família e as transformações vivenciadas pela comunidade japonesa. Tomie Ohtake foi uma grande artista plástica, uma japonesa que se naturalizou brasileira e conquistou espaço, fama e prestígio entre os artistas e a população do país, sendo considerada a ‘dama das artes plásticas brasileira’.

O documentário foi produzido pela TV japonesa NHK e veiculado pela TV Brasil.

Lembre-se dos migrantes e refugiados! Boas Festas!

Neste Natal, mais uma vez, o ônus da falta de moradia irá ofuscar a época festiva para os migrantes, que são privados de um abrigo seguro e permanente. Assim como no passado, vemos as trilhas de famílias inteiras que cruzam as fronteiras em busca de melhores condições econômicas. São milhões de pessoas que escolhem ir embora de suas terras natais por uma combinação complexa de razões como a pobreza, falta de acesso à saúde, educação, água, comida, moradia, consequências da degradação ambiental ou mudanças climáticas, deixando para trás seus entes queridos.

Nós vemos também os rastros de milhões de pessoas que não escolhem ir embora, mas são forçadas a cruzar as fronteiras nacionais em busca de proteção em outros países devido aos temores da perseguição, conflito, violências ou circunstâncias adversas, frequentemente perigosas e intoleráveis. São os refugiados que deixam suas casas, seus entes queridos e suas pátrias.

Assim como muitas tradições religiosas, o Natal desperta os valores da compaixão, esperança, doação e família. Que este Natal seja especialmente marcado pelas nossas orações aos migrantes e refugiados, especialmente às crianças que viajam em condições extremamente perigosas.

Aos estimados seguidores, leitores e amigos expresso meus agradecimentos e os mais sinceros e cordiais votos de Feliz Natal. Desejo que 2019 seja um ano repleto de prosperidade, crescimento, saúde e felicidade para todos.

Dedico a todos esta belíssima canção palestina cujo nome é Uhibbuka Rabbi Yasu’,  postada pela World Council of Churches no Natal de 2015, cantada em árabe e inglês.

As letras, em árabe e inglês, da música podem ser acessadas em PDF:

“Ingleses em Pernambuco” (por Semira Adler Vainsencher, FUNDAJ); Documentário “Cemitério dos Ingleses guarda histórias, lembranças e lendas” (Diário de Pernambuco)


No começo do século XIX, quando o príncipe regente D. João abriu os portos do País, os ingleses começaram a chegar ao Brasil – em especial, para São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife. A Inglaterra era possuidora de uma frota poderosa que percorria o mundo, e os ingleses esperavam encontrar aqui uma boa oportunidade para expandir sua indústria e comércio, bem como obter o máximo de lucro.

Naquela época, a cidade do Recife possuía, aproximadamente, 200.000 habitantes, e a colônia inglesa já se apresentava de forma bastante expressiva…