Introdução ao primeiro exemplar do jornal “O Gallego”, Recife, 1849. Epígrafe:”Eu sou o gallego la da botica, sou muito amante de quem m’enrica”.

 Introdução

Eis-me no mundo periodiqueiro lançado contra vontade dos brasileiros, porque na verdade lhes irá dar muito o que fazer, e se espantarão com o meu aparecimento, pois atrevo-me com o maior denodo possível a dizer-lhes verdades, verdades que ao meu parecer são incontestáveis.

A grande injustiça e desumanidade com que são tratados os meus compatriotas, faz-me esquecer que sou galego, e obriga-me a apresentar-me em campo, para, apesar de todos os obstáculos que me oponham os estonteados brasileiros, defendê-los até ver se eles por uma vez se desenganam com semelhante gente tão inóspita, quanto perversa e revolucionária.

De tempos, a esta parte tem aparecido uma imensidade de gazetas por todas as províncias do Brasil guerreando o nosso predomínio, e chamando a atenção do povo brasileiro contra a nossa legítima influência. Estávamos resolvidos a deixar uivar esses cães danados, porém, para que não sejamos tidos por dormentes ou covardes, tomamos a peito defender os nossos patrícios dessas acusações vagas e infundadas que lhes fazem essas gazetas imundas, que se intitulam ‘liberais’.

Já veem os leitores qual é a nobre missão do ‘Gallego’.

Agora cumpre-me a significação deste meu todo inteiramente burlesco, e também para que melhormente me conheçam; ouçam-me:

Nasci em Galiza, chamo-me ‘Marques Moreira Guerra’, tenho até o presente vivido honradamente… (Jornal o “Gallego”, n. 1, Recife, 1849).

“A immigração Negra -Estudo crítico do projeto Fidélis Reis”. Jornal “A União”, 1924, Paraíba.

Em 7 de outubro de 1924, o Jornal “A União”, órgão do Partido Republicano da Paraíba do Norte, publicava uma matéria sobre um estudo realizado pelo sociólogo paraibano Tito Carlos de Lima, que criticava com veemência o projeto de imigração do deputado mineiro Fidélis Gonçalves Reis, político e intelectual nascido em Uberaba (MG). Tal projeto favorecia a entrada no Brasil de colonos europeus e cerceava a de japoneses e negros americanos.

“O sr. Tito Carlos, que em sua monografia provou com dados estatísticos o desenvolvimento dos negros da América do Norte, e expôs suas conquistas em todos os ramos da atividade” (…), afirma:

“Por consequência, assim como os alemães da Pomerânia são incomparavelmente mais eugênicos que os hotentotes, assim também os negros americanos são incomparavelmente mais eugênicos que os persas. E como a barbaria destes não é obstáculo a imigração de brancos de qualquer parte, também a incultura dos hotentotes não é, nem pode ser obstáculo à imigração dos negros americanos” (Jornal “A União”, 7 de outubro de 1924, Paraíba do Norte).

Preferência e restrição aos imigrantes europeus, “Jornal do Commercio” (RJ), 1886.

Em 1886, o “Jornal do Commercio” (RJ), publicava um artigo ressaltando as qualidades de determinados imigrantes europeus, ao mesmo tempo que restringia imigrantes de outros países da Europa.

“Para o Norte do Brasil, do Pará até o Espírito Santo, são os portugueses os melhores colonos. São os que poderão lutar com mais vantagens contra o calor e a umidade dessas regiões.

Povo forte, trabalhador, econômico, ordeiro, falando a mesma língua que os brasileiros, professando a mesma religião, eles quando aqui fazem fortuna, aqui a empregam e aqui se casam. A colônia portuguesa do Rio de Janeiro e das províncias têm feito grandes obras, edificando a maior parte de nossas cidades, desenvolvido nosso comércio, e procurado se confundir com a família brasileira para com ela constituir uma mesma família. Dos europeus são os que devemos preferir e estimar sobre todos os outros.

Não há em Portugal, para o estrangeiro, melhor título à estima pública do que de brasileiro.

Alemães, suíços e italianos, aproveitarão melhor [ou serão melhores aproveitados] nas províncias do Sul e do Centro.

Pelos costumes, índole, robustez e inteligência no trabalho são os suíços, franceses ou alemães colonos de grande valor.

Os italianos do Tirol, os lombardos, os toscanos, os piemonteses, além de reunirem as qualidades desejadas, trazem consigo uma bagagem artística proveniente de uma qualidade inerente à raça italiana, que civiliza um povo mais rapidamente, reunindo a riqueza do trabalho, o brilho das artes.

Das qualidades colonizadoras dos alemães, já conhecemos pela prática em nosso país.

Das outras nações da Europa, pouco ou nada devemos esperar”.