Sugestão de leitura: “Processos migratórios no Estado de São Paulo: estudos temáticos”, Rosana Baeninger, Cláudio Dedecca (org.), 2013

BAENINGER, Rosana, DEDECCA, Cláudio (Org.). Processos migratórios no Estado de São Paulo: estudos temáticos. Campinas (SP): Núcleo de Estudos de População – NEPO/UNICAMP, 2013.

Esta publicação, intitulada Processos Migratórios no Estado de São Paulo: Estudos Temáticos – compõe o volume 10 da Coleção Por Dentro do Estado de São Paulo. É resultado do esforço conjunto da equipe do projeto temático “Observatório das Migrações em São Paulo: fases e faces do fenômeno migratório no Estado de São Paulo”, financiado pela Fapesp e CNPq, e desenvolvido no Núcleo de Estudos de População (NEPO/UNICAMP) em parceria com pesquisadores da UNICAMP – Instituto de Economia, Núcleo de Estudos de Políticas Públicas, Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Programa de Pós-Graduação em Demografia – e pesquisadores da UNESP, UFSCAR, UNIFESP e da Faculdade Anhembi Morumbi. Os capítulos trazem as contribuições produzidas no âmbito da pesquisa, permitindo captar processos migratórios contextualizados historicamente, seus movimentos migratórios internos e internacionais no período que compreende parte dos séculos 18 e 19, passando pelo século 20 e chegando até a primeira década do século 21. Resgata a trajetória do fenômeno migratório no Estado de São Paulo e sua importância para a formação social paulista. Os capítulos apresentados seguem as duas grandes linhas temáticas e os respectivos Estudos Temáticos do Observatório das Migrações em São Paulo, a saber:

1) Migrações Internas e Internacionais na Formação Social Paulista: uma perspectiva histórica;

2) Migrações Internas e Internacionais Contemporâneas em São Paulo.

Sugestão de leitura: “Trajetória educacional dos imigrantes alemães no interior do Estado de São Paulo: uma escola alemã na Colônia Riograndense, 1922-1938 (Maracaí/Cruzália-SP)”, Flávia Renata da Silva Varolo, Arilda Inês Miranda Ribeiro, José Luis Félix

VAROLO, Flávia Renata da Silva, RIBEIRO, Arilda Inês Miranda, FÉLIX, José Luis. Trajetória educacional dos imigrantes alemães no interior do Estado de São Paulo: uma escola alemã na Colônia Riograndense, 1922-1938 (Maracaí/Cruzália-SP). São Paulo: Paco Editorial, 2015.

SINPOSE

A leitura deste estudo nos permite conhecer um pouco da História da Educação Brasileira e de seus desdobramentos, em particular, a que foi vivida e construída pelos imigrantes alemães, a partir do ano de 1922, numa região inóspita, desbravando o sertão e plantando arte e cultura como componentes essenciais à formação do ser humano.

Sugestão de leitura: “A descoberta da América pelos turcos”, Jorge Amado

AMADO, Jorge. A descoberta da América pelos turcos. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. Posfácio de José Saramago

SINOPSE

 Raduan Murad e Jamil Bichara descobriram a América juntos: vieram no mesmo barco de imigrantes e desembarcaram na Bahia em 1903. No litoral sul do Estado, eram chamados de “turcos”, forma brasileira de designar todos os árabes, fossem eles da Síria, do Líbano ou de fato da Turquia.
     Definido pelo autor como um “romancinho”, A descoberta da América pelos turcos é uma narrativa breve sobre a contribuição dos descendentes de árabes na civilização do cacau, durante a época em que coronéis e jagunços disputavam as terras virgens da região de Ilhéus.
     O libanês Raduan e o sírio Jamil decidiram então tentar a sorte no eldorado do cacau. Jamil se estabeleceu no povoado de Itaguassu, onde abriu um pequeno comércio. Raduan preferiu permanecer em Itabuna, onde freqüentava as mesas de pôquer, os botequins, os cabarés e as pensões de mulheres.
     O enredo, curto e hilariante, apresenta a história de um casamento arranjado, mas de difícil realização. Ibrahim Jafet, viúvo e pai de três beldades (Samira, Jamile e Fárida), quer casar sua última filha solteira, a severa e mal-ajambrada Adma. Ao pretendente, oferece sociedade no armarinho O Barateiro, estabelecimento de tradição e administração familiar.
     Tentado por Shitan, o tinhoso dos muçulmanos, e pelo amigo Raduan, o sírio Jamil vai pensar seriamente no negócio: para herdar O Barateiro, faria o sacrifício de se casar com Adma? Escrito com humor desbocado e o enlevo narrativo próprio do autor, A descoberta da América pelos turcos faz um elogio da mestiçagem dos sangues árabe e baiano, em seus elementos de fraternidade, alegria e erotismo.

Sugestão de leitura: “Colonos do café” (Maria Silvia Beozzo Bassanezi)

Bassanezi, Maria Silvia Beozzo. Colonos do café. São Paulo: Editora Contexto LV, 2019.

SINOPSE

A autora narra, neste livro, as experiências de homens e mulheres que trabalharam na cafeicultura do Velho Oeste Paulista, do final do século xix às primeiras décadas do xx. Com base em ampla documentação de um caso exemplar, a obra colabora para uma maior compreensão do “colonato” – regime de trabalho considerado pelos cafeicultores da época como o mais adequado e eficiente no processo de produção do café –, mas, sobretudo, ilumina experiências humanas por muito tempo ignoradas ou mencionadas apenas de passagem pelos livros especializados.
Enfim, uma história representativa de milhares de famílias, especialmente de imigrantes que atravessaram o oceano para chegar a terras brasileiras em busca de prosperidade, mudando para sempre não só o destino de São Paulo, mas também do Brasil como um todo.

Sugestão de leitura: “Utopias e experiências operárias: ecos da greve de 1917” (Luiz Carlos Ribeiro e Clóvis Gruner (Orgs.)

RIBEIRO, Luiz Carlos, GRUNER, Clóvis (Orgs.). Utopias e experiências operárias: ecos da greve de 1917. São Paulo: Intermeios, 2019.

SINOPSE

Em julho de 1917 uma greve geral, convocada e liderada prin­cipalmente pelos sindicatos e organizações anarquistas, parali­sou várias cidades brasileiras. Deflagrada inicialmente em São Paulo, nas semanas subsequentes ela se espalha para outras cidades brasileiras, culminando com o que foi, até aquele mo­mento, nosso maior movimento paredista. Resultado do con­texto de formação e amadurecimento das ideais e da organi­zação dos trabalhadores, de uma cultura operária, no Brasil da Primeira República, mas também de um contexto internacio­nal atravessado por conflitos os mais diversos, sua importân­cia e impacto repercutiram além das fronteiras temporais mais restritas. Passados mais de 100 anos e os rumores, as ruptu­ras, as promessas e contradições das revoltas e revoluções que inauguraram o século XX, ainda nos inquietam. Os capítulos desse livro pretendem, de diferentes maneiras, problematizar a pertinência e a extensão das utopias gestadas no passado, mas igualmente, reivindicar sua presença e atualidade.

Sugestão de leitura: “Giralda Seyferth muito além da imigração” (Miriam de Oliveira Santos e Patrícia Reinheimer)

SANTOS, Miriam de Oliveira, REINHEIMER, Patrícia (Orgs.). Giralda Seyferth muito além da imigração. São Leopoldo (RS): Oikos Editora; ABA, 2019.

Descrição

Nos textos que compõem o livro “Giralda Seyferth: muito além da migração”, carinhosa e cuidadosamente elaborado por algumas e alguns de suas/seus ex-orientandas/os e amigas/os, a/o leitor/a poderá ver as múltiplas dimensões pelas quais se espraiou o trabalho de uma autora que se afirmou e continua a ser uma referência incontornável no estudo dos fenômenos migratórios. A bela e justa homenagem prestada por amigos e ex-orientandos de Giralda Seyferth com o presente livro transmite ao público informações e leituras importantíssimas sobre uma trajetória intelectual de primeira grandeza, brilho próprio e contribuições singulares para os estudos de diversos temas caros não apenas à pesquisa antropológica e histórica no Brasil, mas também à sociologia e ao campo interdisciplinar de estudos do pensamento social no Brasil.

Sugestão de leitura: “Hospitalidade e lugar de memória árabe na São Paulo/SP do século XXI” (A. Ricardo Abdalla)

ABDALLA, A. Ricardo. Hospitalidade e lugar de memória árabe na São Paulo/SP do século XXI. São Paulo: Editora e-Manuscrito, 2019 – eBook

Descrição

O tema condutor deste estudo reside na análise do Centro Velho de São Paulo como lugar de memória árabe e da hospitalidade ali praticada. Entre os objetivos específicos, a obra identifica os logradouros públicos que permanecem com toponímia árabe; registra mediante fotografias os estabelecimentos que vendem comidas típicas e produtos da culinária árabe; e apresenta entrevistas com os proprietários sobre seu empreendimento e com frequentadores usuais, investigando suas influências na sociedade de acolhimento. Pesquisa de natureza qualitativa, fundamentada no método etnográfico, apoia-se no estudo descritivo e exploratório, por meio da observação participante. Para os árabes pertencentes à colônia, essa região é considerada como certa na compra de produtos alimentícios árabes, além de lugar do começo de uma nova empreitada, uma tentativa de melhorar de vida que vingou tanto aqui, no país acolhedor, quanto em seu território de origem.

Sugestão de leitura: “Migrações, educação e desenvolvimento: convergências e reflexões”, Andrea Helena Petry Rahmeier; et al (Orgs.)

RAHMEIER, Andrea Helena Petry; et al (Orgs.). Migrações, educação e desenvolvimento: convergências e reflexões. Porto Alegre (RS): Editora Fi, 2019 (vol. 1, 2 e 3).

Apresentação

Nos últimos duzentos anos, desde o princípio do século XIX, o mundo tem vivenciado um complexo e efusivo panorama de fluxos migratórios. Impulsionados pelos mais diversos motivos, as migrações representam em si processos de mudança – tanto para os que partem quanto para aqueles que recebem. Os avanços tecnológicos, especialmente nos campos do transporte e da comunicação, cooperaram – e cooperam – para essas manifestações. Em um mundo globalizado – onde as fronteiras, não restritas ao espaço geopolítico territorialmente delimitado, mas que perpassam os aspectos socioculturais grupos humanos –, analisar e refletir sobre o papel migratório nessas rupturas e permanências é um fator essencial para se compreender a realidade histórica e atual em que vivemos. Sabemos que os estudos migratórios tem vivenciado uma importante renovação nas últimas duas décadas, com um leque mais amplo de abordagens, conceitos, teorias, metodologias e relações entre campos de conhecimento. Essa renovação, de grande importância, proporcionam releituras dos processos de migração ocorridos durante os séculos XIX e XX, assim como um entendimento dos enredamentos sociais, políticos, culturais, religiosos e econômicos que permeiam as manifestações deste início do século XXI. Para esta publicação que ora apresentamos, foram escolhidos três campos norteadores principais, que são as migrações, os espaços educativos e o desenvolvimento regional. Este fio condutor interage com múltiplas áreas temáticas, como a religiosidade, o patrimônio cultural, as práticas docentes, as relações com o meio ambiente, as questões de gênero e etnicidade, entre outras. Os capítulos desta obra, agrupados em doze eixos temáticos, subsidiam reflexões importantes, tendo em vista a gama ampliada de interpretações que suscitam, as fontes que utilizam, o trato teórico-metodológico que se aplica, entre diversos outros pontos que poderiam aqui serem citados.

Sugestão de leitura: “Talvez Esther” (Esther Petrowskaja)

PETROWSKAJA, Esther. Talvez Esther. Trad. Sérgio Telarolli. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Neste romance celebrado pela crítica, a ucraniana de língua alemã Katja Petrowskaja reconstitui a fragmentada trajetória de sua família a partir de uma perspectiva inusitada.

Apresentação

Numa esquina da Kiev de setembro de 1941, a babuchka, que talvez se chamasse Esther, pergunta em iídiche a soldados alemães o caminho para Babi Yar, onde, dois dias depois, mais de 33 mil judeus seriam mortos. Essa história, porém, começa muito antes e é narrada de um ponto de vista singular: o de uma ex-cidadã soviética nascida na Ucrânia no início da década de 1970 que escolhe Berlim como refúgio e ponto de partida, e adota o alemão, aprendido aos 26 anos, como instrumento de resgate de uma fragmentada história familiar. É dessa Berlim, hoje pacífica, que parte a jornada da narradora em busca da própria história, entrecruzada a todo instante por eventos cruciais do século XX.

“Uma obra de arte que pouco se encontra na literatura de língua alemã: uma história familiar não sufocada pela convenção literária nem pelo peso da matéria narrada.” — Sebastian Hammelehle, Spiegel Online

“Raras vezes uma história familiar — e há uma profusão delas — foi apresentada de forma tão apaixonante e comovente.” — Volker Hage, Der Spiegel

Sugestão de leitura: “Baal: um romance da imigração” (Betty Milan)

MILAN, Betty. um romance da imigração. Rio de Janeiro: Record, 2019.

Sinopse

Um inquietante romance sobre imigração de Betty Milan. O homem imigra desde sempre. Mas a história subjetiva da imigração é pouco contada. Quais as consequências do desenraizamento? O que significa ser o estrangeiro?

Baal é uma história familiar. O patriarca e personagem principal, Omar, narra um drama sempre atual: o da imigração. No final do século XIX, quando seu melhor amigo é capturado por uma milícia para servir no exército inimigo, Omar é forçado a sair do seu país no Oriente Médio. Ao fugir da aldeia, coração partido, jura que voltará para buscar a família e a noiva.
Embarca para os trópicos, atravessa o oceano e começa a vida na mascatagem, como os conterrâneos que emigraram para o Novo Mundo. Valendo-se da sua força física e da inteligência, vence as dificuldades, torna-se um próspero atacadista e constrói um palácio, Baal, “uma joia do Oriente no Ocidente”, para sua filha única, Aixa, e a família dela.
Só que, depois de falecer, os descendentes dilapidam a sua fortuna. O patriarca, que morreu sem poder descansar em paz por causa dos conflitos familiares, vê a guerra do país natal se repetir no país da imigração.
Indignado com o comportamento dos netos, Omar os culpa por não se darem conta da sua luta e do alto custo do berço de ouro que lhes proporcionou. Associa a crueldade deles à vergonha das origens. Diz que, além de xenófobos, são desmemoriados, “sucumbiram no fundo negro do esquecimento”. Para se opor a isso, ele relembra a história.
A rememoração o obriga, no entanto, a reconhecer os seus erros. Não se empenhou em transmitir o que aprendeu na travessia e, por preconceito em relação às mulheres, não formou a filha para ser sua sucessora. Valeu-se dela para animar Baal, o seu pequeno império tropical, e não para que o palácio continuasse a existir depois da sua morte e se tornasse o que deveria ter sido, um memorial da imigração.