Sugestão de leitura: “Colonos do café” (Maria Silvia Beozzo Bassanezi)

Bassanezi, Maria Silvia Beozzo. Colonos do café. São Paulo: Editora Contexto LV, 2019.

SINOPSE

A autora narra, neste livro, as experiências de homens e mulheres que trabalharam na cafeicultura do Velho Oeste Paulista, do final do século xix às primeiras décadas do xx. Com base em ampla documentação de um caso exemplar, a obra colabora para uma maior compreensão do “colonato” – regime de trabalho considerado pelos cafeicultores da época como o mais adequado e eficiente no processo de produção do café –, mas, sobretudo, ilumina experiências humanas por muito tempo ignoradas ou mencionadas apenas de passagem pelos livros especializados.
Enfim, uma história representativa de milhares de famílias, especialmente de imigrantes que atravessaram o oceano para chegar a terras brasileiras em busca de prosperidade, mudando para sempre não só o destino de São Paulo, mas também do Brasil como um todo.

Sugestão de leitura: “Utopias e experiências operárias: ecos da greve de 1917” (Luiz Carlos Ribeiro e Clóvis Gruner (Orgs.)

RIBEIRO, Luiz Carlos, GRUNER, Clóvis (Orgs.). Utopias e experiências operárias: ecos da greve de 1917. São Paulo: Intermeios, 2019.

SINOPSE

Em julho de 1917 uma greve geral, convocada e liderada prin­cipalmente pelos sindicatos e organizações anarquistas, parali­sou várias cidades brasileiras. Deflagrada inicialmente em São Paulo, nas semanas subsequentes ela se espalha para outras cidades brasileiras, culminando com o que foi, até aquele mo­mento, nosso maior movimento paredista. Resultado do con­texto de formação e amadurecimento das ideais e da organi­zação dos trabalhadores, de uma cultura operária, no Brasil da Primeira República, mas também de um contexto internacio­nal atravessado por conflitos os mais diversos, sua importân­cia e impacto repercutiram além das fronteiras temporais mais restritas. Passados mais de 100 anos e os rumores, as ruptu­ras, as promessas e contradições das revoltas e revoluções que inauguraram o século XX, ainda nos inquietam. Os capítulos desse livro pretendem, de diferentes maneiras, problematizar a pertinência e a extensão das utopias gestadas no passado, mas igualmente, reivindicar sua presença e atualidade.

Sugestão de leitura: “Giralda Seyferth muito além da imigração” (Miriam de Oliveira Santos e Patrícia Reinheimer)

SANTOS, Miriam de Oliveira, REINHEIMER, Patrícia (Orgs.). Giralda Seyferth muito além da imigração. São Leopoldo (RS): Oikos Editora; ABA, 2019.

Descrição

Nos textos que compõem o livro “Giralda Seyferth: muito além da migração”, carinhosa e cuidadosamente elaborado por algumas e alguns de suas/seus ex-orientandas/os e amigas/os, a/o leitor/a poderá ver as múltiplas dimensões pelas quais se espraiou o trabalho de uma autora que se afirmou e continua a ser uma referência incontornável no estudo dos fenômenos migratórios. A bela e justa homenagem prestada por amigos e ex-orientandos de Giralda Seyferth com o presente livro transmite ao público informações e leituras importantíssimas sobre uma trajetória intelectual de primeira grandeza, brilho próprio e contribuições singulares para os estudos de diversos temas caros não apenas à pesquisa antropológica e histórica no Brasil, mas também à sociologia e ao campo interdisciplinar de estudos do pensamento social no Brasil.

Sugestão de leitura: “Hospitalidade e lugar de memória árabe na São Paulo/SP do século XXI” (A. Ricardo Abdalla)

ABDALLA, A. Ricardo. Hospitalidade e lugar de memória árabe na São Paulo/SP do século XXI. São Paulo: Editora e-Manuscrito, 2019 – eBook

Descrição

O tema condutor deste estudo reside na análise do Centro Velho de São Paulo como lugar de memória árabe e da hospitalidade ali praticada. Entre os objetivos específicos, a obra identifica os logradouros públicos que permanecem com toponímia árabe; registra mediante fotografias os estabelecimentos que vendem comidas típicas e produtos da culinária árabe; e apresenta entrevistas com os proprietários sobre seu empreendimento e com frequentadores usuais, investigando suas influências na sociedade de acolhimento. Pesquisa de natureza qualitativa, fundamentada no método etnográfico, apoia-se no estudo descritivo e exploratório, por meio da observação participante. Para os árabes pertencentes à colônia, essa região é considerada como certa na compra de produtos alimentícios árabes, além de lugar do começo de uma nova empreitada, uma tentativa de melhorar de vida que vingou tanto aqui, no país acolhedor, quanto em seu território de origem.

Sugestão de leitura: “Migrações, educação e desenvolvimento: convergências e reflexões”, Andrea Helena Petry Rahmeier; et al (Orgs.)

RAHMEIER, Andrea Helena Petry; et al (Orgs.). Migrações, educação e desenvolvimento: convergências e reflexões. Porto Alegre (RS): Editora Fi, 2019 (vol. 1, 2 e 3).

Apresentação

Nos últimos duzentos anos, desde o princípio do século XIX, o mundo tem vivenciado um complexo e efusivo panorama de fluxos migratórios. Impulsionados pelos mais diversos motivos, as migrações representam em si processos de mudança – tanto para os que partem quanto para aqueles que recebem. Os avanços tecnológicos, especialmente nos campos do transporte e da comunicação, cooperaram – e cooperam – para essas manifestações. Em um mundo globalizado – onde as fronteiras, não restritas ao espaço geopolítico territorialmente delimitado, mas que perpassam os aspectos socioculturais grupos humanos –, analisar e refletir sobre o papel migratório nessas rupturas e permanências é um fator essencial para se compreender a realidade histórica e atual em que vivemos. Sabemos que os estudos migratórios tem vivenciado uma importante renovação nas últimas duas décadas, com um leque mais amplo de abordagens, conceitos, teorias, metodologias e relações entre campos de conhecimento. Essa renovação, de grande importância, proporcionam releituras dos processos de migração ocorridos durante os séculos XIX e XX, assim como um entendimento dos enredamentos sociais, políticos, culturais, religiosos e econômicos que permeiam as manifestações deste início do século XXI. Para esta publicação que ora apresentamos, foram escolhidos três campos norteadores principais, que são as migrações, os espaços educativos e o desenvolvimento regional. Este fio condutor interage com múltiplas áreas temáticas, como a religiosidade, o patrimônio cultural, as práticas docentes, as relações com o meio ambiente, as questões de gênero e etnicidade, entre outras. Os capítulos desta obra, agrupados em doze eixos temáticos, subsidiam reflexões importantes, tendo em vista a gama ampliada de interpretações que suscitam, as fontes que utilizam, o trato teórico-metodológico que se aplica, entre diversos outros pontos que poderiam aqui serem citados.

Sugestão de leitura: “Talvez Esther” (Esther Petrowskaja)

PETROWSKAJA, Esther. Talvez Esther. Trad. Sérgio Telarolli. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Neste romance celebrado pela crítica, a ucraniana de língua alemã Katja Petrowskaja reconstitui a fragmentada trajetória de sua família a partir de uma perspectiva inusitada.

Apresentação

Numa esquina da Kiev de setembro de 1941, a babuchka, que talvez se chamasse Esther, pergunta em iídiche a soldados alemães o caminho para Babi Yar, onde, dois dias depois, mais de 33 mil judeus seriam mortos. Essa história, porém, começa muito antes e é narrada de um ponto de vista singular: o de uma ex-cidadã soviética nascida na Ucrânia no início da década de 1970 que escolhe Berlim como refúgio e ponto de partida, e adota o alemão, aprendido aos 26 anos, como instrumento de resgate de uma fragmentada história familiar. É dessa Berlim, hoje pacífica, que parte a jornada da narradora em busca da própria história, entrecruzada a todo instante por eventos cruciais do século XX.

“Uma obra de arte que pouco se encontra na literatura de língua alemã: uma história familiar não sufocada pela convenção literária nem pelo peso da matéria narrada.” — Sebastian Hammelehle, Spiegel Online

“Raras vezes uma história familiar — e há uma profusão delas — foi apresentada de forma tão apaixonante e comovente.” — Volker Hage, Der Spiegel

Sugestão de leitura: “Baal: um romance da imigração” (Betty Milan)

MILAN, Betty. um romance da imigração. Rio de Janeiro: Record, 2019.

Sinopse

Um inquietante romance sobre imigração de Betty Milan. O homem imigra desde sempre. Mas a história subjetiva da imigração é pouco contada. Quais as consequências do desenraizamento? O que significa ser o estrangeiro?

Baal é uma história familiar. O patriarca e personagem principal, Omar, narra um drama sempre atual: o da imigração. No final do século XIX, quando seu melhor amigo é capturado por uma milícia para servir no exército inimigo, Omar é forçado a sair do seu país no Oriente Médio. Ao fugir da aldeia, coração partido, jura que voltará para buscar a família e a noiva.
Embarca para os trópicos, atravessa o oceano e começa a vida na mascatagem, como os conterrâneos que emigraram para o Novo Mundo. Valendo-se da sua força física e da inteligência, vence as dificuldades, torna-se um próspero atacadista e constrói um palácio, Baal, “uma joia do Oriente no Ocidente”, para sua filha única, Aixa, e a família dela.
Só que, depois de falecer, os descendentes dilapidam a sua fortuna. O patriarca, que morreu sem poder descansar em paz por causa dos conflitos familiares, vê a guerra do país natal se repetir no país da imigração.
Indignado com o comportamento dos netos, Omar os culpa por não se darem conta da sua luta e do alto custo do berço de ouro que lhes proporcionou. Associa a crueldade deles à vergonha das origens. Diz que, além de xenófobos, são desmemoriados, “sucumbiram no fundo negro do esquecimento”. Para se opor a isso, ele relembra a história.
A rememoração o obriga, no entanto, a reconhecer os seus erros. Não se empenhou em transmitir o que aprendeu na travessia e, por preconceito em relação às mulheres, não formou a filha para ser sua sucessora. Valeu-se dela para animar Baal, o seu pequeno império tropical, e não para que o palácio continuasse a existir depois da sua morte e se tornasse o que deveria ter sido, um memorial da imigração.

Sugestão de leitura: “Participação italiana no cinema brasileiro” (Maximo Barro)

BARRO, Maximo. Participação italiana no cinema brasileiro. São Paulo: SESI-SP Editora, 2017.

Descrição

Participação italiana no cinema brasileiro é um livro informativo e biográfico sobre os italianos natos que trabalharam ou prestaram algum tipo de contribuição ao cinema brasileiro. Depois de um breve introito histórico sobre as características da imigração italiana no Brasil, especialmente em São Paulo, apresenta-se como esses imigrantes se voltaram para o âmbito artístico amador ou profissional, principalmente no cinema. Além disso, esta obra traz um vasto índice biográfico dos italianos que trabalharam no cinema brasileiro. Não apenas os intérpretes e os diretores que figuram neste livro, mas também fotógrafos, roteiristas, cenógrafos, produtores, músicos, editores, técnicos de som, eletricistas e maquinistas, ou seja, participantes de outros setores sem os quais o cinema não funcionaria.

Sugestão de leitura – “100 anos do genocídio armênio: negacionismo, silêncio e direitos humanos, 1915-2015”

CARNEIRO, Maria Luiza Tucci, BOUCAULT, Carlos Eduardo de Abreu, LOUREIRO, Heitor de Andrade Carvalho (Orgs.). 100 anos do genocídio armênio: negacionismo, silêncio e direitos humanos, 1915-2015. São Paulo: Editora Humanitas/FFLCH-USP, 2019.

Descrição

Este livro trata de um dos episódios mais trágicos da história da Humanidade: o Genocídio Armênio, protótipo do genocídio moderno. Os estudos aqui publicados são fundamentais para compreendermos os fatos ocorridos há cem anos e para prevenirmos que tais crimes não voltem a ocorrer, principalmente, em momentos de crescimento de ódio e intolerância contra as minorias como, infelizmente, o mundo continua presenciando.
A presente obra traz uma contribuição positiva no esclarecimento desse episódio tão doloroso e presente na memória coletiva de todos os armênios e seus descendentes, e ganha ainda mais relevância por se tratar de uma das raras publicações que aborda o tema em língua portuguesa.

Mais informações:

Jornal da USP: https://jornal.usp.br/cultura/livro-traz-criticas-ao-negacionismo-do-genocidio-armenio/?fbclid=IwAR0sXXfygeZcy3r_jUNaoGYD4ZIiU4Dw59VIdlaAq1D6gm2Zm5k_P9xvw4o