Hoje é Dia Mundial do Refugiado

Hoje é dia de chamar atenção para os mais de 70 milhões de mulheres, crianças e homens, refugiados e deslocados internos, que deixaram suas casas em busca de segurança e um futuro melhor.

As pequenas virtudes

“Mas vem então a dor por nós.

Já a esperávamos, no entanto não a reconhecemos logo; não a chamamos logo por seu nome. Atordoados e incrédulos, confiantes de que tudo se poderá remediar, descemos as escadas de nossa casa, fechamos aquela porta para sempre: caminhamos interminavelmente por estradas poeirentas.

Somos seguidos e nos escondemos: nos conventos e nos bosques, nos celeiros e nos becos, nos porões dos navios e nos depósitos.

Aprendemos a pedir ajuda ao primeiro que passa: não sabemos se amigo ou inimigo, se irá socorrer-nos ou trair-nos. Mas, sem outra escolha, por um momento lhe confiamos a nossa vida. Aprendemos também a socorrer o primeiro que passa. E sempre guardamos a confiança de que daqui a pouco, em algumas horas ou alguns dias, voltaremos a nossa casa com seus tapetes e lâmpadas; seremos acariciados e consolados; com roupas limpas e chinelos vermelhos as crianças se sentarão a brincar.

Dormimos com nossos filhos nas estações, nas escadarias das igrejas, nos albergues de pobres; somos pobres, pensamos sem qualquer orgulho. Desaparece em nós, pouco a pouco, todo traço de orgulho infantil. Sentimos a verdadeira fome e o verdadeiro frio.

Não sentimos mais medo.. O medo em nós já penetrou, é uma coisa só com nosso cansaço; é o olhar esgotado e sem memória que lançamos às coisas”.

Natalia Ginzburg, Le piccole virtù (Einaudi, 1962); traduzido pelo Prof. Dr. Helion Póvoa Neto – Núcleo Interdisciplinar de Estudos Migratórios – NIEM.

“A coisa mais importante” (UNHCR-ACNUR – Agência ONU para refugiados, fotografias por Brian Sokol)

O que você levaria se violência ou perseguição forçasse você a deixar sua casa?

Nos últimos sete anos, o ACNUR trabalhou com o fotógrafo Brian Sokol em um projeto de retratos de refugiados chamado A Coisa Mais Importante. Por meio de imagens e entrevistas, é revelada um pouco da angustiada decisão que famílias refugiadas enfrentam quando são forçadas a fugir de suas casas.

“Isso traz um pouco de alívio de minhas tristezas”.

“Para ajudar seus filhos a alcançar a segurança, essa jovem mãe teve que lidar com um ato de equilíbrio”.

“Duas rodas e um tanque de gasolina levaram Abdou para a segurança”.

“Quero estudar para que eu possa me tornar alguém”.

Para apreciar a matéria completa: https://www.acnur.org/portugues/2019/05/30/a-coisa-mais-importante/