“Imigração chinesa”, Joaquim Nabuco, sessões de 1-9-1879 e 3-9-1879

Vou expor à Câmara, ainda que com mais ordem, porém muito rapidamente, quais foram os pontos de vista em que me coloquei para combater a imigração chinesa. Perguntei em primeiro lugar se os chins eram reclamados pela lavoura e provei que não. A lavoura do Norte não os quer, a lavoura do Sul não os pediu. Mas, sendo os chins reclamados pela lavoura, serão eles convenientes? Não, por muitos motivos: etnologicamente, porque vêm criar um conflito de raças e degradar as existentes no país; economicamente, porque não resolvem o problema da falta de braços; moralmente, porque vêm introduzir na nossa sociedade essa lepra de vícios que infesta todas as cidades onde a imigração chinesa se estabelece; politicamente, afinal, porque, em vez de ser a libertação do trabalho, não é senão o prolongamento, como até disse o nobre ministro, do triste nível moral que a caracteriza e a continuação ao mesmo tempo da escravidão. Coloquei a questão nestes termos: é o chim pedido? Não. É reclamado? Não. É conveniente? Não. E, depois de tudo isto, pode o nobre ministro obter o chim? Não. Não pode obter o chim para a lavoura.

Consultar os textos:

NABUCO, Joaquim. Imigração chinesa. In: _____. Textos de Munhoz da Rocha Netto e Gilberto Freyre e seleção de discursos de Gilberto Freyre. 2ª ed. ampl., Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2010, Sessão de 1-9-1879, p. 213-240.

NABUCO, Joaquim. Resposta ao Ministro de Estrangeiros sobre a imigração chinesa. In: _____. Textos de Munhoz da Rocha Netto e Gilberto Freyre e seleção de discursos de Gilberto Freyre. 2ª ed. ampl., Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2010, Sessão de 3-9-1879, p. 241-249.

“Os chinezes e suas atividades no Recife” (Diário de Pernambuco, 12 de fevereiro de 1936)

Os chinezes que emigraram para Pernambuco, além de ser em número muito restricto, fixam residência somente no Recife.

A colônia chineza no Recife é constituída de 103 homens. As mulheres não deixam seu país com facilidade. E desde que se achem fora da terra natal, não se naturalizam.

Biblioteca Nacional

“Demonstração das conveniências e vantagens à lavoura no Brasil pela introdução dos trabalhadores asiáticos (da china)” é um rico material para o estudo da imigração chinesa no Brasil. (Brasiliana Digital, USP)

(PDF) Demonstração das conveniências e vantagens a lavoura no Brasil pela introdução de trabalhadores asiaticos

http://www.brasiliana.usp.br/handle/1918/00633100#page/1/mode/1up

No livro intitulado “Trabalhadores asiáticos”, publicado em New York, em 1879, Salvador de Mendonça (Cônsul Geral do Brasil no Estados Unidos) faz um estudo detalhado sobre os chineses e a imigração chinesa. Segundo o autor, os trabalhadores chineses são de duas classes diversas: “1) os Chins propriamente ditos, que são os que emigram espontânea e voluntariamente, sob a garantia dos tractados e convenções entre auctoridades Chinesas, Inglezas, Francezas e Norte Americanas; 2) os Kulis ou Coolies na corrupção Ingleza (…), que são os que emigram apanhados violentamente e mettidos abordo, ou os mendigos que de boamente trocam a liberdade da sua miséria por alguns shillings que lhes paga o agente recrutador” (p. 21-22). (Brasiliana Digital, USP)

(PDF) Trabalhadores asiaticos

http://www.brasiliana.usp.br/handle/1918/01118500#page/7/mode/1up