Sugestão de leitura: “Em Alto-Mar”, Edmondo De Amicis, 2017.

“Lançada na Itália em 1889, a obra é considerada o primeiro romance da emigração italiana e permaneceu inédita no Brasil até o presente ano de 2017. Teve dez edições em apenas duas semanas: um verdadeiro best-seller”.

em2baltop2bmar2b-2bcapa De Amicis, Edmondo. Em Alto-Mar. Trad. Adriana Marcolini. São Paulo: Nova Alexandria, 2017.

SINOPSE

Em Alto-Mar é o relato da travessia que De Amicis fez do porto italiano de Gênova ao de Montevidéu, em 1884. Toda a narrativa se passa a bordo do navio Galileo, ao longo da viagem de três semanas. Nada menos que 1.600 emigrantes italianos viajavam na terceira classe. A grande maioria tinha como destino a Argentina e da capital uruguaia seria transportada para Buenos Aires em pequenas embarcações a vapor através do rio da Prata. Havia ainda 70 passageiros distribuídos entre a segunda e a primeira classe – entre os quais o autor. No navio, um microcosmo da sociedade italiana da época, poderemos escutar as histórias do capitão, deliciar-nos com a sensualidade de uma senhora da primeira classe, acompanhar com emoção o nascimento de uma criança, sentir o pavor que se dissemina a bordo com a morte de um passageiro. A chegada de uma nova vida e a partida de outra são dois acontecimentos simbólicos da travessia: o primeiro representa a esperança; o segundo, o medo de não atingir o destino e ter o próprio corpo atirado ao mar, sem direito a uma sepultura. Uma perspectiva que aterrorizava aqueles camponeses extremamente ligados à terra e à religiosidade católica. Muitos jamais haviam visto o mar e tinham um medo espantoso da travessia. O fantasma de uma tempestade – tema de um capítulo – rondava a todos. Os naufrágios estavam na ordem do dia. As epidemias a bordo também. Saltam aos olhos os ressentimentos e a raiva dos emigrantes com relação às elites que lideraram o processo de união territorial e política do país que hoje conhecemos como Itália. Concluída em 1861, a unificação marginalizou uma vasta camada da população e abriu uma ferida na sociedade. A edição inclui dois relatos de Edmondo De Amicis sobre a sua breve estadia no Rio de Janeiro (O Sonho do Rio de Janeiro e Na baía do Rio de Janeiro) durante uma escala técnica na viagem de volta à Itália. Traz ainda ilustrações de Arnaldo Ferraguti e a foto do navio em que o autor fez a travessia da Itália para a América do Sul.

PASSADO PRESENTE

Hoje hóspedes de refugiados, italianos sofriam preconceito no Brasil.

Andar por São Paulo é esbarrar a todo momento na herança deixada pela imigração italiana em suas ruas, lojas, monumentos, edifícios históricos e, principalmente, restaurantes. Das 2,5 milhões de pessoas que passaram pela antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás entre 1887 e 1978, mais de 700 mil eram provenientes da Itália, país que originou o maior movimento migratório internacional da história do Brasil.

A construção, que foi um dos principais centros de acolhimento de estrangeiros em solo brasileiro, abriga atualmente o Museu da Imigração, criado para preservar essa memória e contar aos paulistas um pouco sobre seu passado. Antigo Memorial do Imigrante, o centro cultural foi restaurado recentemente e ganhou uma nova exposição de longa duração. Agora, o museu também pensa no presente – o planeta enfrenta hoje a mais grave crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial -, o…

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O filme “Novo Mundo” (Nuovomondo), dirigido por Emanuele Crialese, 2006, traça, em tom de crítica, alguns paralelos passado-presente da política imigratória dos Estados Unidos. Ele mostra as dificuldades de uma família siciliana, no início do século XX, que abandona sua terra natal em busca de trabalho, oportunidades e riqueza. O drama é marcado por três momentos: os preparativos para a viagem, a travessia do Atlântico e a quarentena na Ilha Ellis.

“Los italianos hoy”, é uma tradução do “My Italian Year”, escrito por Richard Bagot, publicado em 1913, em Barcelona. O autor retrata o olhar das nações europeias mais prósperas e mais “civilizadas” perante o povo italiano, na época estigmatizado como estrangeiro. Ele faz uma defesa em prol dos italianos, abordando os vários aspectos de sua cultura, política, economia e religião (Biblioteca Digital del Patrimonio Iberoamericano)

(PDF) Los italianos hoy